Conferencias.cies.iscte, Second International Conference of Young Urban Researchers

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Uso de Sistema de Informação Geográfica Participativo em comunidades do Rio de Janeiro
Arthur Felipe Molina Moreira

Date: 14-10-2011 09:30 AM – 11:00
Last modified: 13-07-2011

Abstract


A população do município do Rio de Janeiro é a segunda entre as cidades brasileiras, com 6.323.037 habitantes. Apesar de a população do Rio estar estabilizando, a população da Rocinha aumentou 23% em 10 anos, chegando a 87.455 habitantes, o que a torna, isoladamente, a maior favela do Rio (e certamente mais populosa do que a maioria dos municípios brasileiros). O conjunto das favelas da Maré concentra mais pessoas (130 mil) do que o Complexo do Alemão (69 mil). Uma vez que os serviços públicos urbanos não “sobem” até a favela, fica a cargo das ONGs procurarem meios de atender às necessidades desta população carente. Baseado nisso, a ONG Centro de Promoção da Saúde (CEDAPS) em parceria com a Unicef desenvolveu um projeto para traçar intervenções localizadas em determinadas favelas, avaliar as vulnerabilidades e potencialidades da população e auxiliar na organização de melhorias para a comunidade e verificar os resultados no tempo. As intervenções são voltadas à população jovem no sentido de diminuir a vulnerabilidade de mães solteiras, risco de doenças sexualmente transmissíveis, educação sexual e assistência às crianças. De iniciativa nacional, este projeto cria um servidor de mapas virtual para georeferenciar ações e ativos, alimentado de forma colaborativa pelos mais diversos participantes, por meio do telefone celular ou internet. Foi desenvolvido para promover a participação social de jovens de comunidades de baixa renda. Com o servidor de mapas é possível inserir e/ou consultar informações sobre diferentes lugares e editar comentários e referências sobre os locais já mapeados, compartilhando informações e conhecendo novas possibilidades de entretenimento, lazer, educação, saúde, cultura, entre outros. Como os recursos financeiros eram escassos para adquirir imagens de satélite detalhadas e atualizadas, foi utilizado como base o Google Earth e as informações são inseridas e mostradas em formato nativo do Google Earth KMZ. Para adicionar informações os jovens podem fazê-lo através do site na internet, mediante cadastro, ou utilizando telefones celulares com GPS e acesso a internet. Desta forma é possível realizar mapeamento pelos próprios moradores do território das comunidades, que normalmente não são disponíveis nos serviços de mapas. Antes desta técnica, foi realizada uma sensibilização sobre o território utilizando uma técnica chamada “Mapa falante”. Trata-se de uma técnica participativa que possibilita o conhecimento de determinado lugar e suas relações, a partir de uma representação gráfica elaborada coletivamente. Os mapas apresentam um “retrato” que é fruto da visão e percepção que os participantes têm do seu território, do seu lugar como espaço do cotidiano. O Mapa Falante parte das vivências, percepções e conhecimentos práticos dos envolvidos, sobre o território em geral e sobre as suas diferentes áreas. Ele é útil para fazer a leitura de uma realidade a partir de suas múltiplas dimensões, pois possibilita construir um olhar coletivo sobre o território e desta forma facilita tomadas de decisões e/ou organização de ações e intervenções sobre o território. Tem por objetivo sensibilizar a percepção e conhecimento da população sobre o uso do território. Este projeto é um exemplo de utilização de Participatory GIS aplicado ao ambiente urbano.